27 de ago de 2007

Delira Música, Delira Blues!


Por Marcelo Pera

“Delira Música é o selo da música instrumental brasileira. Tem distribuição própria e é também uma agência de produção cultural. Iniciou suas atividades em novembro de 2003 com um objetivo principal: atender a um público ávido por novidades consistentes - promovendo música de qualidade, garimpada dentro do universo da música independente. Respeitar quem faz e quem ouve a música é o sonho palpável, o motor e a vela da Delira Música.”
(www.deliramusica.com )


O Nanquim Maldito entrevistou Marcelo Pera, 38 anos, músico, compositor, formado em economia, dirige a Delira Música, selo especializado no repertório instrumental – jazz – clássico (agora com uma vertente Blues!) desde 2003.


Nanquim: Meu caro Marcelo Pera, a Delira Música: Quem? Quando? Como? E por quê?


Marcelo Pera: A Delira foi criada em 2003 pela minha sócia, Luciana Pegorer, que havia trabalhado durante sete anos na Warner Music, na área de jazz e clássicos, gênero que foi perdendo espaço nas majors a partir do final dos anos 90.
Os porquês são muitos, mas posso dizer que não se trabalha com música desse tipo sem uma grande dose de amor. Temos que nutrir aqui dentro uma grande capacidade de doar para ir contra a corrente. No final das contas, o resultado do que se constrói com amor é sempre muito gratificante.

Nanquim: Quais os músicos que através de seus trabalhos de alguma forma ajudaram a alimentar mais e mais a idéia de criar o selo?


Marcelo Pera: Olha, é difícil nominar alguns dentre tantos. São inspirações diárias que recebemos na empresa desde sempre. Infelizmente, ainda não conseguimos dar vazão a tudo que nos chega. Eu disse ainda. Na minha cabeça ecoa a palavra ‘vitória’, e pouco me interessa se o contrário é aparente. Grande parte da engrenagem que alimenta o empreendedorismo está nessa força mental.
Mas, continuando... criar um selo não é uma tarefa muito complicada (em que pese os constantes obstáculos que o Brasil que governa teima em impor). O mais delicado talvez seja manter a compreensão das mudanças constantes e fazê-lo com agilidade suficiente para não se aproximar do ocaso. Eu diria que a relação transparente e amiga com os parceiros, principalmente os artistas, é sinônimo de saúde forte.
Pra falar de nomes de peso que fazem parte do nosso catálogo, posso citar Carlos Malta, Mauricio Einhorn, Gilson Peranzzetta, Marcos Ariel e Turíbio Santos como alguns deles.

Nanquim: Como o meio da música, ou seja, músicos, produtores e público, tem interagido com o selo, desde a sua criação em 2003?


Marcelo Pera: Olha, como todo mercado de nicho você cria um clubinho, sabe? As pessoas querem trocar idéias, querem ser ouvidas. Quando você se associa a qualquer pequeno grupo isso acaba acontecendo de uma forma ou de outra. É uma maneira muito honesta e prazeirosa de celebrar a vida. Quem não precisa encontrar afinidades no outro? Isso nos faz viver melhor. E estamos falando de música!
Temos a melhor recepção possível dentre os que têm compromisso com essa música. Tem uma rádio de Buenos Aires que toca todos os nossos lançamentos. Temos um parceiro importante na França – Another Track – que distribui nosso catálogo no formato digital. A imprensa especializada brasileira nos reconhece e nos dá todo o apoio. Fizemos, antes de tudo, grandes amigos nesses quase quatro anos.


Nanquim: Quais são os compromissos concretos que a Delira Música assume, a partir de momento em que se interessa pelo trabalho de um músico independente?


Marcelo Pera: O compromisso fundamental é de que o músico será ouvido e respeitado nas suas aspirações. Os canais de diálogo são abertos e a filosofia do nosso trabalho é a qualidade artística em primeiro lugar.
Os modelos de trabalho são diversos. Podemos entrar no processo desde a etapa de gravação, ou podemos ser apenas os distribuidores de um produto. O importante aqui é que, num ou noutro modelo, a marca está a serviço desse artista, e ele carrega uma chancela que o coloca ao lado de alguns dos músicos mais gabaritados do Brasil.

Nanquim: De que maneira a sua experiência como músico e compositor tem contribuído no cotidiano e no crescimento da Delira Música?


Marcelo Pera: No cotidiano, desde que falemos a mesma língua de quem nos procura. O crescimento é conseqüência de vários fatores.
Mas gosto da idéia de que inexista a velha relação patrão–empregado que caracterizou a indústria fonográfica na sua história. É claro que cada um com sua função. No entanto, falando o mesmo idioma, a respiração é mais relaxada e o dia-a-dia mais leve.

Nanquim: Fale-nos sobre alguns dos músicos e trabalhos já lançados pelo Delira Música e se possível, nos adiante alguma novidade quanto ao futuro.


Marcelo Pera: Bom, vou falar dos lançamentos mais recentes...
Importante citar o nome do Mauricio Einhorn, um gênio do improviso, grande compositor, mais um dos que o Brasil insiste em esquecer. Lançamos recentemente “Travessuras”, trabalho autoral do Mauricio, produzido pelo grande amigo Ricardo Leão, com arranjos lindos, inclusive de César Camargo Mariano e Vitor Santos. Tenho grande carinho por este disco.
Ficando na harmônica, o Gabriel Grossi criou um quinteto para gravar “Arapuca” que é um espetáculo de inventividade e categoria.
O Brasil nos deu um pianista chamado Gilson Peranzzetta, que nos presenteia com uma obra-prima chamada “Bandeira do Divino”.
Voltando pra nova geração, o Bruno Migliari (baixista do Frejat e da Ana Carolina) gravou “Amicizia”, em parceria com o guitarrista italiano Chester Harlan, uma pérola de bom gosto.
Daqui para o fim do ano já temos programados “Tem Sambajazz na Belazul”, de Henrique Lissovsky, em formação de quarteto, com os consagrados Ivan Conti, Paulo Russo e Mauro Senise; “Aláfia”, do percussionista Marco Lobo, um trabalho extremamente bem cuidado e belo.
Na vertente clássica, lançaremos com grande alegria “Turíbio Santos interpreta Agustín Barrios”.
Delira Blues lança ainda em 2007 “Laundromat 335”, de Mauricio Sahady & Blues Groovers; e “Flávio Guimarães ao Vivo”.
Já temos discos programados para 2008, mas deixemos caminhar este 2007.

Nanquim: E a Delira Blues? Como surgiu a idéia de criar dentro do selo, um espaço para o Blues produzido por músicos do gênero no Brasil?


Marcelo Pera: A idéia não é minha. O Beto Werther, um grande amigo dos meus tempos de músico, e o Otávio Rocha me procuraram pra conversar a esse respeito. O que eles apresentaram já estava pronto. Simplesmente colocamos a nossa estrutura a serviço de um gênero a mais, marginalizado e talvez até injustiçado.
Fato é que temos grandes artistas sem o tratamento adequado, e isso incomoda qualquer um que pode fazer algo pela sobrevivência da música de qualidade.
Acredito muito nesses caras. Eles têm uma garra incomum. E sou o maior admirador que eles podem ter no momento em que trabalho todos os dias para que tenham sucesso.

Nanquim: Além do Blues Etílicos que lançou recentemente o CD “Viva Muddy Waters”, primeiro registro da Delira Blues, quais são os artistas de Blues que vocês estão contatando, visando futuros lançamentos?


Marcelo Pera: Aproveito que você citou o Blues Etílicos para enaltecer a importância desse grupo. Não é fácil se manter na ativa por 20 anos, passando por todas as fases de um mercado tão instável, e manter uma postura tão profissional e competente. Eles são, sem dúvida, um dos nossos grandes orgulhos. E vamos caminhando muito bem.
O segundo lançamento Delira Blues vem agora em setembro – Mauricio Sahady & Blues Groovers – Laundromat 335. Mauricio é uma figura fundamental da cena blues. É um grande artista e o público vai ouvi-lo em sua melhor forma nesse disco. Blues Groovers é um trio especialmente formado dentro do universo Delira Blues para acompanhar artistas do gênero. Formado pelo Otávio Rocha (Blues Etílicos), Beto Werther e Ugo Perrotta (ex-Big Alambik).
Além do Flavio, que terá seu “ao vivo” lançado em 2007, Álamo Leal vai gravar para Delira Blues e pretendemos lançar um disco do Blues Groovers também.
E estamos com os ouvidos atentos para o que pintar por aí.

Nanquim: Em sua opinião, o Blues pode ser cantado em português e/ou agregar elementos de outros gêneros produzidos no Brasil, como o forró e o samba?


Marcelo Pera: Minha opinião concentra-se em: isso tem ou não qualidade artística?
Ao ser diretor artístico de um selo preocupado com a boa música, não poderia ser diferente a minha premissa!
Os preconceitos deixo para os apaixonados. Quero ter meus ouvidos convencidos pelo conjunto da obra, ou das notas musicais!

Contato:
info@deliramusica.com
www.deliramusica.com

25 de ago de 2007


Para quem tem memória curta, e consequentemente alimenta o coro :

"Ronaldinho Gaúcho, não atua bem em jogos decisivos e nas decisões de títulos das quais participa, seja em clubes, ou na Seleção Brasileira."


Em 2006, após fracasso da seleção de Parreira na Copa da Alemanha, como já é de costume ocorreu a escolha por parte da mídia ( com grande respaldo popular ) de um "Cristo" para "pagar o pato" da mediocre campanha naquela competição.

No caso em questão, o "pato", ainda não se chamava o hoje exageradamente elogiado e também gaúcho, Alexandre, jovem ídolo no Beira-rio, e sim , Ronaldo de Assis, Moreira, mundialmente reverenciado e conhecido como Ronaldinho Gaúcho, ex-gremista e segundo alguns "profetas do acontecido" de memória curta, o "craque que sempre treme nas finais".

Resolvi em meio aquelas pesadas e infundadas críticas, enviar um e-mail para o programa "Debate Bola" da Rede Record de Televisão, programa este, comandado pelo jornalista Milton Neves, que vai ao ar de segunda à sexta as 12:30h, principalmente para a cidade de São Paulo.

O meu e-mail foi encaminhado mas precisamente ao ex-árbitro de futebol , Oscar Gody, que na oportunidade era o mais exaltado algoz do camisa 10 do barcelona e hoje reserva de luxo do dublê de técnico, o sr. Dunga.


Segue abaixo, na íntegra o e-mail enviado ao ex-árbitro Oscar Gody, através do programa "Debate Bola" da Rede Record de Televisão, em 2006:



"Sr Godoy, refaça seu comentário por favor!!


Fala isso em relação à questão de que o Ronaldinho Gaúcho não joga bem em finais ok?


Esta sua afirmação não procede e vejamos apenas 2 exemplos :



1 - RONALDINHO GAÚCHO "ENTORTA" DUNGA NA FINAL E AINDA FAZ O GOL DO TÍTULO:

Na final do campeonato gaúcho de 1999, o Grêmio venceu o Inter por 1X0 graças a um gol de Ronaldinho, com direito a um drible humilhante no agora técnico da seleção brasileira, Dunga, que jogava no rival. Após a partida, o craque saiu de campo consagrado e carregado nos ombros.

2 - RONALDINHO COMANDA SELEÇÃO NA FINAL ESMAGADORA CONTRA A ARGENTINA NA COPA DAS CONFEDERAÇÕES 2005 E AINDA MARCA UM GOLAÇO!

O Brasil venceu a Argentina na final da copa das confederações disputada na Alemanha em 2005 .
o placar foi de 4X1 com gols de Adriano (2), Kaká e Ronaldinho Gaúcho , num jogo que o Brasil nem contou com "fenômeno" Ronaldo Nazário.

Por favor, sr. Godoy!!!!!!!!

Abração à todos e que em 2007 o "Debate Bola", continue arrebentando em qualidade!"
( Renato Zanata, de Niterói, Rio de Janeiro )


21 de ago de 2007

Estão "matando" o Blues!?


Por Paulo Marcio Vaz*


Acabo de receber um e-mail de um colega músico( 01/04/2005 ).

Ele é “blueseiro” (ou especialista em Blues, como queiram). Segundo ele, o Blues está morrendo, e para embasar seu diagnóstico, cita o bom e velho Buddy Guy, que aponta a causa: “O Hip-Hop está matando o Blues!”. Nunca fui um entusiasta do Blues. Mas antes que seja atacado, difamado ou seqüestrado, devo dizer que o respeito. E reconheço sua importância na formação de gerações e gerações de seres humanos, de sociedades e culturas (musicais ou não), que pegaram (e pegam) emprestado todo o sentimento, significação, ideologia, estética e o que mais o Blues possa lhes oferecer. Reconheço que não estou nem um pouco capacitado para falar especificamente de Blues. Nem me ousaria. Mas a anunciada "morte" do Blues deve ser analisada com muita calma. A morte, no sentido humano, pode ter várias causas: velhice, doença e acidente talvez sejam as principais. O Blues não morreu. Isso é fato. Mas realmente, não parece bem. Isso, não dito por mim, mas pelo próprio Buddy Guy. De que ele sofre, então? Está velho, doente ou sofreu um acidente, sendo atropelado pelo Hip-Hop, como sugere o velho Buddy ? Como disse, não sou um especialista (ou "blueseiro", como queiram). Mas, como um clínico-geral da música, arrisco um diagnóstico: com todo o respeito aos especialistas, o Blues me parece esclerosado, como um velho gagá que, ao invés de se modernizar e aproveitar a vida, só sabe reclamar do presente e relembrar as proezas do passado. Assim como o Blues, o samba também teve suas crises. Agonizou, mas não morreu. Aprendeu a lição. Se modernizou sem perder a essência. Ficou mais flexível e accessível. Não deixou o morro, mas fez casa no asfalto. Envergou, mas não quebrou. O samba hoje é outra pessoa, apesar de ser o mesmo. Os sambistas abriram a mente, despiram seus preconceitos e se adaptaram à modernidade (ou seria pós-modernidade?). O Blues precisa se reciclar. Não esteticamente ou filosoficamente, mas conceitualmente. Não dá mais para os “blueseiros” se fecharem no seu mundo de sapiência e especialidade. É preciso escancarar as portas e janelas, trocar o velho carpete empoeirado e respirar os ares que vêm lá de fora. Convidar as pessoas para entrar e bater um papo. Aprender com os mais jovens. Sim, os mais jovens! Mas, o que eles sabem de blues?! Nada. Mas...o que o Blues sabe deles? O Hip-Hop é acusado por Buddy Guy de ser o vilão da história. É muito fácil acusar os outros, principalmente quando queremos esconder nossa própria parcela de culpa. Antes de culpar a empadinha pelo seu mal-estar, o Blues deveria fazer um check-up e ver se o problema não está nele próprio. Uma empadinha não faz mal a ninguém sadio. O Hip-Hop também não.
( *Paulo Márcio Vaz é músico e estudante de Comunicação Social da FACHA-RJ )



"(...) Promovendo seu novo disco, “Time will tell”, Cray acha que as emissoras de rádio e os lares dos EUA não dão ao blues a atenção devida. — Pode ser que algumas rádios universitárias toquem blues, mas ele não está na casa das pessoas — lamenta ele.
— Os jovens negros não ouvem mais blues em casa. Ele acha que, assim, o gênero tende a ficar cada vez mais isolado, sem contato com outros estilos musicais. — As pessoas pensam que o blues é puro, não se mistura, mas isso é uma bobagem — garante. — Eu sou um grande fã de blues, mas também ouço muito Beatles, Baden Powell, Thelonious Monk, reggae e jazz. Toda essa música aparece de alguma forma em minhas composições(...)"
( O músico guitarrista Robert Cray, em entrevista ao jornalista Bernardo Araújo, para o jornal O Globo, em 19 de Dezembro de 2003 )

16 de ago de 2007

CÁUSTICO homenageia "VÍBORA" !



JOEL SILVEIRA
Uma víbora, segundo Assis Chateaubriand. Manuel Bandeira descreveu seu estilo como “uma punhalada que só dói quando a ferida esfria”.

Verve Cáustica:
"(...)Quando o presidente FHC aparece no no vídeo,Joel não resiste : - É o tipo do presidente que sabe falar mas não sabe dizer .Fala mas não diz.Nunca vi falar tanto,sobre qualquer assunto.Aparece mais na TV do que anúncio de Coca-Cola(...)"
( Sobre FHC, em entrevista ao jornalista Geneton Moraes Neto / http://www.geneton.com.br )
"Ele não conhece nossa língua, comete erros absurdos, diz "a gente pudemos". Eu tenho a impressão de que o presidente Lula nunca leu um livro na vida. Isso para um presidente é um absurdo. Quando ele lê correto é porque o discurso foi escrito pelo José Dirceu, que escreve muito bem, ou por outros assessores, como o Celso Amorim, que também escreve muito bem. Ele tem excelentes assessores, mas quando improvisa, é um desastre."
( Sobre o presidente Lula, em entrevista concedida à Douglas Portari )
"Eu nunca fiz do Jornalismo escada para subir, para a política, para me vender. Sempre fui um jornalista, ou melhor ainda, um repórter. Nunca traí minha profissão, tanto que todo mundo sabe disso e por isso me respeita. Duvido que haja alguém aí que me acuse de qualquer coisa. Podem me chamar de feio, o que eu sou. É uma opinião. Podem dizer que eu escrevo mal, é uma opinião, eu respeito. Agora, dizer que eu sou desonesto, isso não. Aí eu processo!"
(Sobre sua conduta ética no jornalismo, em entrevista concedida à Douglas Portari )
“Vejo telejornais e documentários. Tem muita porcaria: Clodovil, Hebe, Ratinho e esse abominável João Kleber.”

“O Brasil é uma farsa.”

“Getúlio teve uma qualidade rara em um governante brasileiro (e olhe que quem fala aqui é um inimigo seu): era profundamente honesto. Vivia do ordenado dele. “
"(...)João Gilberto...com aquele violãozinho,uma coisa horrorosa...Não entendo o fenômeno João Gilberto : é um dos mistérios que minha inteligência não consegue alcançar. Eu até me esforço para entender tanta idolatria,porque ,como sou repórter, gosto de saber das coisas.Mas confesso que não consigo(...)"
( Em entrevista ao jornalista Geneton Moraes Neto / http://www.geneton.com.br )


O escritor e jornalista Joel Silveira morreu ontem, 15 de Agosto, aos 88 anos no Rio de Janeiro.
Joel Silveira tinha mais de 60 anos de carreira no jornalismo.

Nascido em 1918 na cidade de Lagarto (SE), começou a trabalhar em um jornal local. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos 19 anos e trabalhou em grandes publicações, como "O Cruzeiro", "Diretrizes", "Última Hora", "O Estado de S. Paulo", "Correio da Manhã" e revista "Manchete".
Ele foi repórter especial, correspondente de guerra e lançou mais de 40 livros. Devido a seu estilo, o jornalista ganhou de Assis Chateaubriand o apelido de "a víbora". Um dos maiores destaque de sua carreira foi a cobertura que realizou da Segunda Guerra Mundial na Itália, junto à FEB (Força Expedicionária Brasileira), como correspondente dos "Diários Associados".


“Ele reunia doses de poesia, sarcasmo, ternura e ironia.”

( Ledo Ivo, escritor e amigo de Joel Silveira )


"O Joel que fica é o repórter talentosíssimo, o precursor brasileiro do chamado "novo jornalismo", a "víbora" divertida e ferina. "

( Geneton Moraes Neto )


10 de ago de 2007

ROBELVIS, A ENTREVISTA !














Da esquerda para direita:

Léo Erhlich - Bateria
Charles Nobili - Guitarra
Alexandre Abu (Mahavishnu Elvis) - Vocal
Érico Braga - Guitarra
Fábio Seidl - Baixo







Podemos dizer que Elvis Presley de certa forma foi o “culpado” pelo início da carreira solo do “Rei” Roberto Carlos e também pelos primeiros contatos dele com o “irmão camarada”, que se tornaria o seu maior parceiro de composições. Refiro-me ao Tremendão, Erasmo Carlos.
Lá pelo ano de 1957, o ainda pouco conhecido Roberto Carlos, integrava o grupo musical “The Sputnicks” liderado por ninguém menos do que o “síndico” e saudoso Tim Maia.


Numa das apresentações do “The Sputnicks” na extinta TV Tupi dentro do programa “Clube do Rock” comandado pelo falecido Carlos Imperial, Roberto confessou ao apresentador que sabia imitar o Elvis Presley.


Satisfeito com o resultado da imitação, Carlos Imperial convidou Roberto Carlos para que no próximo programa participasse de um quadro sozinho e imitando Elvis Presley.


Mas, o velho Tim Maia, por não admitir que um integrante de seu conjunto se apresentasse sozinho fez um ultimato ao Rei: se Roberto Carlos participasse sozinho no programa do Imperial, ele seria expulso do seu conjunto, o que acabou acontecendo.
A partir desse fato, Roberto Carlos passou a ser conhecido como o “Elvis Presley brasileiro”, apelido dado pelo próprio Carlos Imperial.
Através de amigos em comum e necessitando da letra da canção "Hound Dog", Roberto veio a conhecer Erasmo Esteves, mais conhecido pelo seu nome artístico de
Erasmo Carlos, oTremendão, que era um grande fã de Elvis Presley.



Agora, seria possível imaginar uma situação inversa a esta? Ou seja, o também Rei Elvis , traduzindo para o inglês e cantando em suas turnês, músicas do nosso Rei Roberto Carlos?
Hein?
Se você disse não, que isso seria impossível, que são apenas devaneios de um Senador, Cáustico e gagá, é por que você ainda não ouviu falar e tocar a “Robelvis”.
O Nanquim Maldito, conversou com o músico e publicitário Charles Nobili, um dos guitarristas da Robelvis, banda que está levando o público paulistano ao delírio ao homenagear de forma criativa e divertida os eternos "Kings", Elvis Presley e Roberto Carlos !






NANQUIM: Meu caro Charles Nobili: Robelvis ! Do que se trata ?


Charles Nobili: Robelvis, como o nome diz é uma mistura de Roberto Carlos com Elvis. Isso começou quando uma amigo e atual vocalista, sacou a semelhança das músicas do Roberto com o mood do Elvis. Isso sempre foi um pouco evidente, devido a influência do Elvis no trabalho do Roberto. Começamos a brincar com os violões e tivemos a certeza q resultado era muito legal.

NANQUIM: Quem é o “Pai do Robelvis” ?


Charles Nobili: O pai do Robelvis é o Sr. Alexandre Abu, que na banda torna-se o Mahavishnu-Elvis. Isso por sua aparência indiana e tb uma brincadeira com o Tortelvis, vocalista da antiga banda Dread Zeppelin. Essa banda fazia versões reggae do Led, e e o Tortelvis se apresentava vestido de Elvis na fase gordinha. Só q o Tortelvis era muito gordo. Essa banda não nos influencia mas vale a piada, né?

NANQUIM: Quem e quantos são os integrantes da banda ?
Todos fãs do Elvis ? do Roberto? Ou o Robelvis supera os dois fácil ?


Charles Nobili: Somos todos fãs de ambos. Eu particularmente gosta pra carayo do Roberto. Somos todos publicitários e o Robelvis é o nosso Playcenter, é onde a gente se diverte. Mas a coisa não é só brincadeira, a gente leva a sério. Os integrantes são: Abu ou Mahavishnu-Elvis nos vocais, eu e o Érico Braga nas guitarras, Fábio Seidl no baixo e Léo Ehrlich nas baquetas.

NANQUIM: E o repertório ?Qual o critério de escolha ?
Charles Nobili: O critério é a música se encaixar num contexto Rock'n Roll. Com algumas exceções. A gente toca por exemplo "The Gate" q fica rock apenas no refrão. A como somos praticamente uma banda piada, temos que nos esforçar muito pra graça não acabar na segunda música. Então a gente não faz cover, faz versão. E sempre q possível a gente faz alguma citação ao Elvis. A gente toca "I Am So Terrible" coma intro de Jailhouse Rock, e assim vamos brincando e misturando.

NANQUIM: No palco quem encarna o Robelvis ?


Charles Nobili: O Abu encarna bem o Elvis. É realmente engraçado. Mas a gente tem essa paranóia de manter o interesse do público e não perder a graça na segunda música.

NANQUIM: Nos shows, como tem sido a reação do público? Vocês costumam receber sugestões para incluirem esta ou aquela canção do Roberto Carlos na “levada” Robelvis ?


Charles Nobili: A gente tem um repertório fechado. E somos muito cuidadosos com a escolha das músicas. A galera sugere, talvez mais pela empolgação da piada, mas a gente não pode fazer versão de tudo pq não fica bom, ou cai naquela coisa de ser apenas uma versão em inglês do Roberto, se distanciando do Elvis. Por isso a gente toma muito cuidado. E temos cuidado tb com músicas longas. É por isso q tivemos de deixar "Detalhes" de fora, por exemplo. O público nos shows não acredita no q tá vendo, é muita surpresa pra eles. E a gente percebe a reação positiva quando no início de uma música eles reconhecem q música é. Eles realmente deliram.



NANQUIM: Qual a versão que vocês podem chamar de o grande Hit da Robelvis?


Charles Nobili: Olha é difícil, mas "Lady Of A Friend Of Mine" e "Hell + Jesus Christ" leva o povo ao delírio. Essa última é "Que Tudo Mais Vá Pro Inferno" q a gente emenda com "Jesus Cristo". A galera bate palma, parece uma missa evangélica. É louco!



NANQUIM: Existe alguma preocupação com relação a composição de visual específico nas apresentações da Robelvis?


Charles Nobili: Olha a gente ainda não concretizou isso, mas o Abu se apresenta caracterizado. Mas não de Elvis fase gordinha, naquela fase todo roupa de couro preta. Mas a gente já tem um figurino desenhado, mas ainda não ficou pronto. E tb queremos ter outros nomes, só de sacanagem. No fundo no fundo, isso é uma grande brincadeira que deu pé. É sério, mas a gente faz questão de manter o bom humor. Mas não é teatro, é música mesmo e nas execuções a gente leva a coisa bem a sério.

NANQUIM: Alguma previsão de registro em estúdio ?


Charles Nobili: Ainda não, queremos é tocar muito. Na verdade, temos medo do registro pq a presença de palco no nosso caso conta muito. MAs lógico que vamos gravar esse projeto.





NANQUIM: Gostaria de parabenizá-los pela genial sacada de vocês , justamente num momento em que impera a total falta de criatividade e originalidade no meio musical, quando literalmente somos obrigados a assistir por aí afora , músicos que vivem tão somente do “esquemão cover”, ipsi literis. Portanto, vida longa a ROBELVIS ok ?


Charles Nobili: Valeu, meu véio. E vida longa tb pro NANQUIM, que é um projeto ducarayo e tá aí pra falar, discutir e divulgar a música. Aquele abraço.

7 de ago de 2007

NO BRASIL CONCRETO, CIDADÃO DE PAPEL !

Podemos definir como frágil a textura que forma e “deforma” a cidadania no Brasil, ao observarmos que homens, mulheres e crianças neste país, em via de regra, vêem seus direitos garantidos apenas no papel. Avanços e conquistas que não se materializam e não se concretizam em seus cotidianos ainda tomados pela exclusão social, falta de respeito aos direitos humanos e longe de possibilitar uma igual e democrática condição de oportunidades para todos.

Esta materialização da cidadania plena só se tornará ampla e democrática de fato, se houver por parte do Estado o compromisso com uma política pública capaz e principalmente desejosa de promover, proteger e efetivar, direitos sociais e econômicos “urgentes”, como por exemplo, garantir a população uma educação pública fundamental de qualidade em todo o território nacional e um crescimento das oportunidades de trabalho atrelado á salários mais condizentes com as necessidades básicas das famílias brasileiras.

Entretanto, sabemos que a corrupção pública de mãos dadas com setores da sociedade civil, alimentadas e encorajadas por uma impunidade sistemática, tem infelizmente contribuido em muito para que tal materialização não ocorra de forma real, justa e democrática.

Já citado anteriormente, mas de suma importância para entendermos melhor o porque da cidadania brasileira na prática estar mais associada a deveres e obrigações do que à direitos e conquistas, o sistema educacional público brasileiro não tem contribuído de forma eficaz, “não-estanque” e consistente para que formemos, a partir das salas de aula, “cidadãos concretos” , ou seja, indivíduos munidos de criatividade e lucidez política sobre seus reais deveres e direitos. Isto é, estamos criando “cidadãos de papel”, que não sabem ou não possuem competência para cobrar e fazer valer os direitos sociais que lhes foram garantidos pela chamada “Constituição cidadã” de 1988, e produzir a partir daí, benefícios perenes e reais.

Indicadores como a fome, sinônimo de exclusão da terra, do emprego, da educação, do salário e da renda, segundo o saudoso sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, aliado a outros indicadores tão indignos quanto, como por exemplo, as mortes corriqueiras nas portas de hospitais e postos de saúde públicos por falta de pronto atendimento,o processo ainda crescente da favelização e a banalização das mortes de civis nos grandes centros urbanos, vítimas do cada vez mais constante e violento confronto entre os que atuam e se sustentam do tráfico de drogas e as instituições de segurança pública em grande parte, desaparelhadas e desacreditadas, atestam o quanto a nossa democracia carece de cidadania e vice-versa, o que tem impedido ambas de se instalarem por inteiro em nosso dia-a-dia, salvo raras exceções.

Renato 'Zanata' Arnos, músico e prof. de História

Bibliografia de apoio:

" Democracia em pedaços, direitos humanos no Brasil", Gilberto Dimenstein.Companhia das Letras, SP.

"O Cidadão de Papel ", Gilberto Dimenstein. Ática

"Ètica e Cidadania", Herbert de Souza ( Betinho ) e Carla Rodrigues. Editora Moderna, SP - coleção Polêmica.


4 de ago de 2007

"BRASIL 500 ÔNUS" - Tributo à Memória


“Se você só fica reclamando de alguma coisa e não faz nada sobre isso, então sente-se e cale a boca”.
( Frank Zappa )
O QUE ANDAMOS COMEMORANDO MESMO, HEIN?

A Cruz e as Espadas que empunhadas por abençoados “narcisos da modernidade” escarraram vírus e bactérias de toda a natureza sobre a população nativa?
A lepra, a varíola, a gripe, as cáries que apodreciam os dentes, a boca. Doenças pulmonares e venéreas, cúmplices do primeiro genocídio?
A arbitrária e desumana forma com que o negro foi integrado à sociedade colonial para enriquecer traficantes e senhores de engenho, sob a ameaça dos chicotes de couro cru , da castração ou do emparedamento vivo?
O aniquilamento do primeiro grande sonho de liberdade vivido pela união e luta de índios, mestiços e negros, quando degolaram Zumbi dos Palmares, e sua cabeça foi exposta num poste de Recife como troféu exibido com orgulho, como um prêmio concreto à barbárie oficial?
A Cabanagem, conflito social ocorrido no Pará no século passado, onde milhares de brasileiros miseráveis, novamente, mestiços, índios e negros escravos, que lutavam por dignidade, foram cruelmente chacinados pelo governo?
Mulheres e crianças que sobreviveram ao terror do massacre sobre o povo de Antônio Conselheiro em Canudos, prostituídas ou escravizadas com o respaldo de carimbos e recibos oficiais cedidos pelos próprios militares que lá representavam a civilização, a “Ordem e o Progresso”, contra o que diziam ser o atraso e o fanatismo?
O Convênio de Taubaté (1906) para salvaguardar o lucro dos cafeicultores, onde o Estado claramente interveio no jogo de mercado, comprando o excesso da produção, para proteger mais uma vez os ricos, como fez em seu governo , o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com o PROER, que socorreu bancos privados falidos usando dinheiro público?
As torturas e os assassinatos de vários civis nos porões da ditadura militar implantada em 1964,que em nome do eufemismo hipócrita, mutilou um sonho de democracia real , para que hoje não tivéssemos que constatar que em recentes pesquisas de opinião, o jovem brasileiro tem se mostrado a favor de regimes de exceção e até do fechamento do Congresso Nacional?
As chacinas da Vigário Geral, Candelária, Carandiru, Eldorado dos Carajás e os rumos de cada um dos respectivos processos em direção à impunidade?
Os casos de nanismo nutricional que desenvolve no Nordeste brasileiro uma geração de nanicos, fruto do trabalho árduo em troca da fome, da perene esperança de se comer carne uma vez por ano e de na certa nunca ter visto de perto uma escova de dente ou uma escola?
Ou a velha e perversa passividade da FUNAI diante do alto índice de suicídios entre os índios Kaiowas, que ao perderem sua cultura, sua reza e suas terras para fazendeiros e grandes empresas agropecuárias, tragicamente buscam confortar o crescente desespero, no álcool, na prostituição e dando fim a própria vida, que há 500 anos atrás lhes pertenciam?

Renato 'Zanata' Arnos, músico e prof. de História.

A banda Sepultura interpretanto o tema autoral "Kaiowas" :

http://www.youtube.com/watch?v=dJ0eIlu6pTQ


1 de ago de 2007

ACE FREHLEY por Henrique Inglez de Souza











ENTREVISTA

O Nanquim Maldito entrevistou o jornalista Henrique Inglez de Souza, um dos maiores conhecedores no Brasil da obra de Paul Daniel Frehley, mais conhecido como Ace Frehley, o eterno e insubstituivel guitarrista da banda Kiss e também um dos guitarristas mais originais e importantes na galeria dos grandes ícones da chamada “Guitarra Rock”.




Nanquim: Meu caro Henrique Inglez de Souza, como podemos definir o Kiss, com e sem Ace Frehley ?


Henrique Inglez de Souza: Com Ace Frehley é uma banda sólida, carismática e poderosa. Tem uma química ímpar e uma sonoridade emocionante, aquela quintessência que a maioria dos grupos procura a qualquer custo. Sem Ace Frehley, o Kiss perde seu brilho e se transforma apenas numa banda boa, com músicos competentes e sem aquele tempero especial na receita. Recentemente entrevistei a Lydia Criss, ex-mulher do Peter Criss. Acho que ela resumiu de uma maneira eficaz o Kiss atual: “está como se eles estivessem tocando com membros de uma banda cover de Kiss”. Aproveito essa frase para responder a sua pergunta.

Nanquim: Tendo como referência o trabalho de Ace no Frehleys Comet, você afirmaria que de todos os integrantes do Kiss que se aventuraram a gravar discos solos, Frehley foi o que mais
demonstrou qualidade em tal empreitada ?

Henrique Inglez de Souza: Sem dúvida. Por exemplo, o disco-solo do Ace Frehley (daqueles que os integrantes do Kiss lançaram em 1978 sob o nome do grupo) foi o que melhor repercutiu e ainda deixou um célebre clássico, “Rip It Out”. De todos integrantes que se aventuraram fora do Kiss, Ace Frehley se deu melhor, talvez pelo seu carisma e pela frustração que causou a muitos fãs quando se desligou do Kiss, em 1982. O disco-solo do Paul Stanlay, “Live To Win”, lançado no ano passado, foi o trabalho que mais se aproximou da repercussão que Ace Frehley já desfruta há quase três décadas. “Frehley’s Comet”, lançado em 1987, marcou o auge-solo do guitarrista.

Nanquim: O que teria realmente levado Frehley a deixar o Kiss por duas vezes, em 1982 e 2001 ?

Henrique Inglez de Souza: Acredito em dois motivos. Na primeira vez, pelo que lemos e ouvimos em revistas, sites, jornais e em entrevistas para rádios e TVs, havia dois “grupos” dentro da formação original do Kiss: um com Paul Stanley e Gene Simmons, os “sóbrios” e outro com Peter Criss e Ace Frehley, os “bebuns”. Esse quadro acabou gerando faíscas durante o “boom” do Kiss, entre 1975 e 1977. Quando Peter Criss saiu da banda, em 1980, Ace Frehley ficou em minoria, além de seu vício em drogas e álcool já não estar agradando seus parceiros remanescentes. Acho que ele se sentiu desgostoso e se mandou. A deixa foi um acidente de carro, pouco antes das gravações do disco “Creatures Of The Night”, as quais não contaram com uma nota se quer de Ace Frehley (apesar dele estar na foto de capa do disco e nos vídeos promocionais).
Em 2001, a situação era completamente diferente. Os caras já haviam passado anos se alfinetando pela mídia e já haviam se reaproximado, no “Acústico MTV” que o Kiss gravou em 1995. Acontece que esse disco acústico impulsionou uma oportuna turnê de reunião da formação original e mascarada, em 1996. Desde então, o grupo acabou entrando numa fase bem chata e excessivamente preocupada com o lado marketing e comercial de sua condição. Lançaram um disco de inéditas, “Psycho-Circus” (1998), que tem suas gravações rodeadas de polêmicas curiosidades. Dizem que Ace Frehley e Peter Criss pouco gravaram seus instrumentos no disco. O guitarrista parece ter gravado apenas a sua faixa, a maravilhosa “Into The Void” (uma música típica do Ace Frehley, com direito a todos os elementos de seu estilo como músico). Depois da turnê de divulgação de “Psycho-Circus”, o Kiss entrou numa neura de fazer sua turnê de despedida... que dura até hoje (!!!). Acho que em 2001, Ace Frehley deve ter se cansado de ser um garoto propaganda de si mesmo e preferiu trabalhar em algo mais empolgante: seu estúdio caseiro e suas próprias músicas.

Nanquim: O que dizer do primeiro álbum solo de Ace Frehley, em 1978, quando ainda pertencia ao Kiss?


Henrique Inglez de Souza: É o melhor dos quatro. Acho que deve ter funcionado muito bem porque foi lançado num momento em que Ace Frehley estava começando a aparecer mais como vocalista. Lembremos que a primeira faixa em que gravou os vocais principais foi “Shock Me”, lançada no disco “Love Gun” (1977). O público estava gostando das músicas que ele cantava. Acho que foi isso. O sucesso foi tamanho que fez o guitarrista pensar seriamente em seguir dali mesmo sua carreira-solo, mas acabou esperando um pouco mais.

Nanquim: Por trás de um grande guitarrista, se pode começar a enxergar ali um grande vocalista também? Ou tal constatação, seria um exagero?

Henrique Inglez de Souza: Toda generalização é perigosa. Acho sem fundamento uma afirmação dessa. Não vejo guitarristas como Slash, Ritchie Blackmore ou Jimmy Page cantando. Deve ser frustrante. Um exemplo legal é o de Keith Richards, dos Rolling Stones. Ele é um grande guitarrista, mas as músicas que canta, apesar de legais, mostram que realmente não se trata de um grande vocalista. Pode ser carismático, mas grande vocalista, de jeito nenhum.

Nanquim: O que você poderia comentar sobre algumas críticas que consideraram o segundo disco solo de Ace, Frehleys Comet de 1986, como um trabalho de sonoridade mais próxima do Kiss, que o primeiro disco solo, de quando ele ainda pertencia a banda ?


Henrique Inglez de Souza: Acho que crítica é algo muito pessoal. Por mais crédito que o crítico possa ter com o público. Já tive experiências de ler uma resenha em que o autor meteu o pau no disco e terminou com a seguinte frase “passem longe”. Lembro que comprei o disco, ouvi e adorei. Por isso, não levo muito em conta esse tipo de comparação, mesmo porque, eu não encaro esses dois álbuns dessa forma. O disco de 1978 soou estranho para o que o Kiss estava fazendo na época, mas também nada extraordinário. Era apenas a criatividade de Ace Frehley tendo espaço integral para se apresentar – e pela primeira vez. Com o “Frehley’s Comet”, o guitarrista conseguiu aproximar os fãs carentes do som clássico do Kiss porque, em 1987, o grupo estava comercial e distante demais do som que o sacramentou como uma das maiores bandas de rock da história. Enquanto Gene Simmons e Paul Stanley faziam músicas vulgarmente chamadas de “rock farofa”, Ace Frehley plugava sua Gibson Les Paul em seus Marshall e produzia riffs, solos e melodias genuinamente hard rock. Uma boa comparação pode ser feita com uma música do Kiss, “Hide Your Heart”, lançada pelo Kiss no disco “Hot In The Shade” (1989). A música é de Paul Stanley, Desmond Child e Holly Knight. Ace Frehley fez um cover dessa música no disco “Trouble Walkin’”, também de 1989. Se compararmos a versão original, do Kiss, e a que Ace Frehley gravou, notaremos que a primeira é bem o tipo de som comercial que o Kiss fazia à época. Já a de Ace Frehley é hard rock clássico – e bem melhor, na minha opinião. Por isso, ao invés de perder tempo em comparações muito teóricas, compre e divirta-se com os dois discos. Há uma coletânea ótima do Ace Frehley, chamada “12 Picks”, que tem a versão de “Hide Your Heart” citada.


Nanquim: Qual o melhor solo de Ace Frehley?

Henrique Inglez de Souza: Difícil e injusta essa resposta, mas diria ser o de “Rip It Out” (de estúdio). Esse solo é maravilhoso! Mas como deixar de fora o de "Rocket Ride"?

Nanquim: Melhor disco solo?

Henrique Inglez de Souza: "Frehley’s Comet” (1987)


Nanquim: Melhor trabalho de Frehley com o Kiss?

Henrique Inglez de Souza: De estúdio: “Love Gun” (1977)
Ao vivo: “Alive II” (1977)


Nanquim: Como você define o retorno de Ace ao Kiss em 1995, e a participação dele no disco , MTV Unplugged?

Henrique Inglez de Souza: Acho que até ali o Kiss foi uma ‘banda’ mesmo, que compunha material bom e sincero. Quando a formação original se reuniu durante o “Acústico MTV”, achei fantástico. Um sonho de consumo que eu alimentava desde a infância. Uma emoção muito grande – mesmo que os caras estivessem sem as máscaras. Entretanto, o que vi depois, foi frustrante. Acho que ‘frustrante’ é o sentimento mais forte para essa resposta. Mas, sem dúvida, Ace Frehley deu o brilho que brindou o “Acústico MTV”, sem desmerecer o trabalho de Bruce Kulick.


Nanquim: Algum guitarrista de ontem e/ou de hoje, que lembre a pegada e o estilo de Ace ?

Henrique Inglez de Souza: Por incrível que possa parecer, às vezes, vejo elementos do Ace Frehley no estilo e no som do Slash, guitarrista que tive o prazer de entrevistar. Mas há muito do Ace Frehley no Dave "The Snake" Sabo, do Skid Row e fã confesso.

Nanquim: Meu caro Henrique Inglez de Souza, eu li lá no blog oficial da revista guitar player , mas nunca é demais relembrar este acontecimento. Por favor, conte para os leitores do Nanquim o que a música do Kiss, "Christine Sixteen", tem haver com a trinca : Gene Simmons, Eddie Van Halen e Ace Frehley ?

Henrique Inglez de Souza: É verdade. Existe um laço muito forte que aproxima esse trio. Gene Simmons foi o cara que “descobriu” o Van Halen, ou, pelo menos, colocou o grupo na melhor perspectiva em que poderia estar. Isso aconteceu por volta de 1977, quando o Kiss estava na pré-produção do disco “Love Gun”. O clima amistoso entre o baixista e Eddie Van Halen foi o suficiente para que o guitarrista gravasse os solos da versão demo de “Christine Sixteen”. Esses solos, segundo um depoimento que li de Gene Simmons a uma revista, foram reproduzidos com fidelidade por Ace Frehley, quando o grupo estava gravando o disco.


Henrique Inglez de Souza:

O jornalista Henrique Inglez de Souza tem 29 anos e trabalha desde 2001. Já escreveu para sites, jornais e revistas. Atualmente, publica matérias na Bizz, na Revista MTV e na Guitar Player, resvista para a qual teve a honra de entrevistar figuras como Slash, Andy Summers, Bruce Kulick, Sergio Dias, Lanny Gordin, Pepeu Gomes, entre outros. Além da revista, Henrique Inglez de Souza é o responsável pelo conteúdo do site oficial da Guitar Player. Amante incondicional de Kiss, considera Ace Frehley um de seus guitarristas favoritos e acha "Take Me To The City" uma de suas músicas recentes mais empolgantes.


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